quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Uma realidade diferente

Carta 06, 11 de agosto de 2016,

[Você pode ler este texto ao som de Ser diferente é normal]

Anteriormente a essa aula cada aluno fez uma atividade individualmente. Em casa, deveriam ficar com olhos tampados por meia hora e transcrever o que sentiu, suas sensações, poderia escolher andar ou ficar parado, agir como quisesse. O mesmo exercício deveria se repetir mas com os ouvidos tampados.
Em sala, nos reunimos em grupos de cinco pessoas e cada um deveria perder um sentido. No meu grupo, eu perdi a capacidade de andar. Dan e Daniel ficaram surdos e Emili e Giovanna ficaram cegas. Juntos, deveríamos dar um passeio pela faculdade e criar uma história acerca da tarefa. Nesse exercício a equipe deveria se ajudar, Dan e Daniel me carregaram, enquanto isso guiavam Emili e Giovanna.

Imagem: Arquivo Pessoal

Pudemos ter várias sensações e sentimentos. Assim como eu, outras pessoas do grupo sentiram medo, sensação de impotência, fragilidade, vulnerabilidade. Pudemos nos colocar no lugar do outro, do indivíduo que tem uma deficiência.
Contudo, ao discutirmos em sala sobre a experiência, Valéria nos fez ver que nós julgamos a realidade do outro a partir da nossa. Muitas vezes, a partir da nossa dificuldade de viver uma vida sem falar, ouvir, andar, julgamos que o outro é incapaz, quando talvez ele não seja. Isso ficou claro no exemplo que ela deu de um casal, em que ambos eram surdo mudos e estavam em ônibus diferentes e podiam se comunicar a distância com facilidade. Nós, com todos nossos sentidos, possivelmente não conseguiríamos nos comunicar e entender o que o outro queria dizer.
Essa tarefa não somente nos colocou no lugar de uma pessoa que possui uma deficiência como também nos fez enxergar de outra forma a realidade do outro, que muitas vezes estereotipamos de acordo com nossa visão mas que não conhecemos a fundo.
Ah, e aqui vai a nossa história:

“Eram 5 amigos que foram viajar. Nessa viagem eles resolveram fazer uma trilha na floresta. Eles se perderam. A fome era gigante mas eles tinham medo de comer qualquer coisa que encontravam lá. Em um momento, Emili e Giovanna encontraram uma árvore muito vistosa e, por ser bela, resolveram comer seus frutos. Horas depois delas comerem, perderam a visão. Laura, com medo de comer do fruto, preferiu ficar com fome. Ela ficou desnutrida e por isso, não conseguia andar. Dan e Daniel, buscando ajudar sua amiga, foram até um pequeno riacho que estava próximo para procurar peixes. Ao entrar no riacho, não encontraram alimento, mas a água estava contaminada e deixou os dois surdos. Desesperados por não possuírem seus sentidos, ficaram atônitos. Após o momento de desespero, resolveram se juntar para que pudessem sair da floresta e buscar ajuda. Dan e Daniel carregaram Laura pois estava muito fraca. Além disso, guiaram Emili e Giovana para que não se machucassem. Juntos, foram capazes de sair da floresta e buscarem ajuda.”

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