Carta 06, 11 de agosto de 2016,
[Você pode ler este texto ao som de Ser diferente é normal]
Anteriormente a essa aula cada aluno
fez uma atividade individualmente. Em casa, deveriam ficar com olhos tampados
por meia hora e transcrever o que sentiu, suas sensações, poderia escolher
andar ou ficar parado, agir como quisesse. O mesmo exercício deveria se repetir
mas com os ouvidos tampados.
Em sala, nos reunimos em grupos de
cinco pessoas e cada um deveria perder um sentido. No meu grupo, eu perdi a
capacidade de andar. Dan e Daniel ficaram surdos e Emili e Giovanna ficaram
cegas. Juntos, deveríamos dar um passeio pela faculdade e criar uma história
acerca da tarefa. Nesse exercício a equipe deveria se ajudar, Dan e Daniel
me carregaram, enquanto isso guiavam Emili e Giovanna.
Imagem: Arquivo Pessoal
Pudemos ter várias sensações e
sentimentos. Assim como eu, outras pessoas do grupo sentiram
medo, sensação de impotência, fragilidade, vulnerabilidade. Pudemos nos colocar
no lugar do outro, do indivíduo que tem uma deficiência.
Contudo, ao discutirmos em sala sobre
a experiência, Valéria nos fez ver que nós julgamos a realidade do outro a
partir da nossa. Muitas vezes, a partir da nossa dificuldade de viver uma vida
sem falar, ouvir, andar, julgamos que o outro é incapaz, quando talvez ele não
seja. Isso ficou claro no exemplo que ela deu de um casal, em que ambos eram surdo mudos e estavam em ônibus diferentes e podiam se comunicar a distância com
facilidade. Nós, com todos nossos sentidos, possivelmente não conseguiríamos
nos comunicar e entender o que o outro queria dizer.
Essa tarefa não somente nos colocou no
lugar de uma pessoa que possui uma deficiência como também nos fez enxergar de
outra forma a realidade do outro, que muitas vezes estereotipamos de acordo com
nossa visão mas que não conhecemos a fundo.
Ah, e aqui vai a nossa história:
“Eram 5 amigos que foram viajar. Nessa
viagem eles resolveram fazer uma trilha na floresta. Eles se perderam. A fome
era gigante mas eles tinham medo de comer qualquer coisa que encontravam lá. Em
um momento, Emili e Giovanna encontraram uma árvore muito vistosa e, por ser bela,
resolveram comer seus frutos. Horas depois delas comerem, perderam a visão.
Laura, com medo de comer do fruto, preferiu ficar com fome. Ela ficou
desnutrida e por isso, não conseguia andar. Dan e Daniel, buscando ajudar sua
amiga, foram até um pequeno riacho que estava próximo para procurar peixes. Ao
entrar no riacho, não encontraram alimento, mas a água estava contaminada e
deixou os dois surdos. Desesperados por não possuírem seus sentidos, ficaram
atônitos. Após o momento de desespero, resolveram se juntar para que pudessem
sair da floresta e buscar ajuda. Dan e Daniel carregaram Laura pois estava
muito fraca. Além disso, guiaram Emili e Giovana para que não se machucassem.
Juntos, foram capazes de sair da floresta e buscarem ajuda.”


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